Seção: Resenhas
19 ago 2009
Banda Cine. Rock and Roll, hein?
Multishow é aquele canal que quer ser alternativo, diferente. Pergunta, em chamadas comerciais: “Sua TV tem som de quê?”. Ontem à noite eles entregaram o “Prêmio” do canal.
Não deu pra concluir, ainda, qual foi a cena mais bizarra. E foram várias. Talvez o maior deles tenha sido Caetano Veloso entregando prêmio de melhor banda para o Fresno. E ainda concorreu na categoria, NxZero, Jota Quest, Banda Eva e o Skank. Tirando os mineiros do Skank, foi a disputa mais tosca que eu já vi.
Em revelação, a banda “Cine” ganhou da Mallu. Nunca tinha visto essa banda, graças a Deus. É igual a todos os sons emos que já existem por aí. Cópia de lixo.
O melhor show foi pra Capital Inicial. Faz tempo que eles não empolgam mais ninguém.
Outras bizarrices ainda foram: Cláudia Leite (Beijar na Boca) concorrendo como melhor música e NxZero vencendo categoria de melhor CD.
Pra fechar a noite, uma homenagem justa à Rita Lee.
Com Pitty no vocal.
Terror.
Escrito por Raphael SanchezSeção: Resenhas
6 jul 2009Sempre gostei de ler, sempre li muito. Aliás, antigamente lia muito mais livros do que hoje em dia, talvez pela falta de tempo aqui em São Paulo ou simplesmente por pura preguiça. Mas eu lia muito mesmo. Com uns doze,
treze anos de idade – sério isso, não é só para dizer o quanto eu conhecia as coisas com doze anos, até porque isso seria muito idiota – tive acesso aos escritores beatniks. Não lembro ao certo como tive este acesso, mas deve ter sido algo relacionado com alguma materia que li na Bizz ou em algum jornal ou revista na época, não sei. Mas fui conhecendo e me interessando pelas historias de viagens pelos Estados Unidos dos anos 40/50, sem destino certo e sem maiores pretenções daquela gente. “On the road” não foi o primeiro livro que li daquela turma, mas foi certamente o que mais me marcou. O estilo de escrever automatico de Jack Kerouac, até então praticamente inedito, me abriu muitas portas E percepções diferentes. Acho que muito na minha vida foi inconscientemente baseado pelas coisas que aprendi com os beatniks (especialmente com Kerouac), desde o fato de ser musico e insistir em trabalhar exclusivamente com isso, para me dedicar integralmente, até o fato de gostar de viajar por ai e – quem me ve nas cidades e festivais por ai sabe bem – tentar conhecer ao maximo os locais onde vou tocar. Acho que nada mais justo eu prestar uma homenagem – não gosto muito desta palavra, mas é a que me vem a cabeça agora – a uma dos caras que me marcou desta forma, neste no que se completam 40 anos de sua morte. Espero que gostem.” A musica “Mañana, Jack, mañana (to Jack Kerouac)” está disponivel para download gratuito nos endereços abaixo:
www.tramavirtual.com.br/astronauta_pinguim
www.myspace.com/astronautapinguim
Ouça: Mañana, Jack, mañana (to Jack Kerouac)
Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
Escrito por Raphael SanchezSeção: Resenhas
2 jul 2009As dimensões do estádio ainda vazio alertam: há de ser mais do que simplesmente um grande espetáculo. É preciso conter o entusiasmo, contudo, sob o risco de me frustrar mais tarde. Não a ansiedade; demoro um exato minuto para atravessar o campo e assegurar o espaço no qual jamais tive a pretensão de estar. O piano ainda está coberto, mas as letrinhas de seu manto são perfeitamente legíveis. O Yamaha preto ainda guarda consigo algum mistério e inquietude à espera de seu dono. Tudo o que nos separa é uma grade baixa e o vão para seguranças e fotógrafos trabalharem.
Ao meu lado, um garoto apenas um pouquinho mais alto que a grade me desperta a atenção: Elton John deveria ser exatamente assim aos seus oito ou nove anos. Os cabelos lisos e escorridos, o corte redondo e até mesmo os óculos precoces confundem o astro já denominado um Sir com o menino que mal enxerga o piano. Depois de confirmar com o senhor ao meu lado que é seu filho, exclamo por dois motivos: trata-se um protótipo do cantor, brinco, mas, falando sério, não é comum ver alguém tão novo com os olhos estalados no palco mesmo a horas do show começar. O senhor ri, diz que, por que não, seu filho um dia será como o mestre-pianista. “Conhece mais do que eu”, completa, e retruca a surpresa de sua parte: um estrangeiro perdido em Limerick, apenas por conta de Elton? “Sou brasileiro. Saí de São Paulo para vir a esse concerto, mas aproveitei para ficar um pouco em Dublin e polir o inglês”. O senhor responde em riso apreensivo, custando a equalizar a piada.
Mais uma hora e meia de espera. Mais chuva, mais frio. São dezenove horas e o estádio ainda está quase vazio quando o artista coadjuvante abre o espetáculo com seu violão e mais nada. A cada música que toca, aquece as mãos num sopro demorado. Algo em torno de meia hora depois, despede-se e deixa o palco pronto para os últimos ajustes. O piano é descoberto. O público aplaude. O funcionário da equipe técnica borrifa um produto qualquer a fim de manter seu brilho à altura. Não é preciso, convenhamos.

Legitimada a pontualidade britânica, Reginald Kenneth Dwight está no palco às oito da noite. Elton John, para os íntimos – também conhecidos como mundo inteiro. O medley de Funeral For a Friend e Love Lies Bleeding soa triunfal, perfeito para a ocasião. A sincronia inicial entre percussão, sintetizador e piano é intensa ao ponto de não se fazer perceber o delírio da multidão entre gritos e assobios. Sem delongas, Saturday Night Alright For Fighting. Não se tratasse de um repertório de Elton John, soaria algo inexperiente gastar um rock desses logo no início. Não há motivos para se preocupar, no entanto: não lhe faltam cartas na manga do fraque com motivos coloridos e brilhantes sobre a camisa de seda azul royal. Estampada nas costas, o que identifico como a figura de anos atrás do próprio músico sentado na lua. Elton sabe exatamente o que faz. E segue com Burn Down the Mission, não sem antes trocar as primeiras palavras com a plateia e agradecer a oportunidade de ser recebido num dos mais tradicionais estádios de rúgbi do país. Ao contrário de Bob Dylan, faz parte do show de Elton estar em contato permanente com os espectadores. Agora ele pede para que o público participe da próxima canção no intuito de que todos se mantenham aquecidos ante o tempo ruim. Trata-se de nada mais, nada menos do que Goodbye Yellow Brick Road. É quando constato que a pele eriçada já não é mais fruto do frio.

Ao fim de cada execução, Elton se levanta, vibra, reverencia os súditos de todos os lados. Aperta os punhos, grita, gesticula, agradece, acena em positivo com a cabeça. Não é diferente com o piano. O domínio sobre cada nota é impecável. A voz se mantém intacta. Diante do que assisto a cada canção, não há palavra qualquer que defina com mais exatidão o comportamento do mestre diante do que faz senão uma só, usualmente considerada vulgar: tesão. Elton John – ainda – tem imenso tesão pelo que faz. Óbvio, posto isso, é imaginar quem não teria.
Sobretudo quando se tem ao lado um conjunto igualmente poderoso. Além do piano, agora já sem mistério algum, mas inquieto como nunca, Elton conta com mais um teclado, uma guitarra (nas mãos versáteis do veterano Davey Johnstone, melhor dizer que são várias), uma bateria e percussão (impressionante, diga-se de passagem; o mais novo do grupo, John Mahon, usa meias-luas como “baquetas”).
Dentre clássicos românticos, músicas tristes, baladas, suingues, roques e virtuoses pop, fica o hibridismo de um artista que sabe sintetizar em perfeito equilíbrio mais de quatro décadas de carreira inquestionável. O tempo simplesmente não passou para Daniel, Tiny Dancer, Crocodile Rock, Candle in The Wind e vinte outras que compõem as duas horas e meia mais densas que já vivi. Concluídas, claro, com Your Song. Nem mesmo canções como está última, Sacrifice e Skyline Pingeon, aquelas as quais nos trazem a sensação de que já nascemos conhecendo, soam clichê quando executadas ali, ao vivo – e a pouquíssimos metros de mim. No todo, o show está longe de ser simplesmente um amontoado de sucessos revisitados – embora o pareça a quem não está na plateia ou nunca fez parte dela.
Às dez e meia da noite, sob alguma chuva e muitos aplausos, Sir Elton John se despede dos irlandeses e do brasileiro. Não deixa de ressaltar o agradecimento por termos todos não apenas ido, mas sido tão calorosos e amáveis em condições terríveis como aquela. Em sua simpatia e modéstia desmedidas, no entanto, ele bem sabe que o que nos aqueceu e nos elevou ao amor é exatamente aquilo que agora está coberto de novo.
Cabe-me agora contrariar a fama de entusiasta. Não devo escrever ou mesmo dizer de minhas impressões no paradoxal calor do momento. Avesso à tecnologia, mas o primeiro adepto quando ela é fácil e custa só vinte e cinco euros, tenho o disco do show minutos depois de seu fim. Os dias passam sem que eu consiga ficar sequer um só sem ouvi-lo.
É inegável: quatro meses, vinte dias e catorze minutos antes de estar em frente ao piano esperando por um grande espetáculo, comprei o ingresso que mudou, senão apenas minha vida, a forma como passei a vivê-la através da música.

Escrito por: Thiago Crespo, amigo, jornalista, dono do blog Dublin ao vivo, não volta mais da Irlanda.
Escrito por Raphael SanchezSeção: Resenhas
24 jun 2009Cinema é um convite a algo novo. Irrecusável.
Toda banda participa na composição de ao menos uma música. A primeira delas a ser executada nos shows e disponibilizada na internet é “Dance Agora”. A guitarra de Marcelo Gross contrasta o rock and roll tradicional com o moderno. Ao ouvir o álbum inteiro, “Dance Agora” é a que mais prende a atenção em um primeiro momento.
Outro ponto forte do álbum é “Luz”. Com certeza você já ouviu algo parecido ao escutar alguma música dos White Stripes. Mas aqui são cinco músicos que se fazem presente. Mesmo com a semelhança com a dupla norte-americana, em “Luz” você percebe a banda inteira, afinada, alinhada.
Mas é “Eileen”, de autoria de Beto Bruno e Pedro Pelotas, que mais supreende. E encanta. As primeiras notas te levam para alguma música da carreira solo de John Lennon e a voz única de Beto Bruno a traz de volta para o álbum. São minutos únicos no álbum e na carreira da banda. Mais, na música de hoje em dia.
Cinema é o amadurecimento dos garotos – hoje nem tão mais garotos assim – que começaram sua história tocando rock and roll, simplesmente. Hoje, dez anos depois, apresentam um trabalho lapidado em várias influências e referências.
Aproveite.
Escrito por Raphael SanchezO Cavern é um site que divulga bandas indepedentes. Você pode enviar músicas, fotos e vídeos e encontrar entrevistas, comentários e análises de quem quer mostrar seu trabalho. Aqui sua banda ganha visibilidade. Mostre o seu mundo. Inscreva-se.